Por Gabriel von Borell
Depois de se apresentar no Nubank Parque, em São Paulo, no dia 25 de outubro, o Iron Maiden voltou ao estádio na última terça-feira (27) para mais um capítulo de sua história com o público brasileiro. Por aqui, a banda apresentou a turnê “Run For Your Lives”, criada para celebrar cinco décadas de carreira, em duas noites marcadas pela força de seu repertório clássico e pela disposição dos integrantes, além da impressionante entrega de Bruce Dickinson.
Aos 68 anos, o vocalista mostrou que continua sendo uma das figuras mais magnéticas do heavy metal. Mesmo mancando durante suas corridas, Bruce não deixou que isso interferisse em sua presença de palco. Durante toda a apresentação, ele circulou de um lado para o outro e manteve a característica interpretação teatral que acompanha sua trajetória.
Se a movimentação física chamou a atenção, sua condição vocal foi outro grande destaque. Dos momentos mais agressivos às passagens que pedem maior sustentação melódica, o cantor encontrou espaço para explorar sua extensão vocal e reafirmar a personalidade que transformou tantas composições em sucessos.
A disposição também se estendeu aos demais integrantes. Steve Harris conduziu a identidade rítmica da banda com seu baixo inconfundível, enquanto Dave Murray, Adrian Smith e Janick Gers mantiveram a dinâmica característica das apresentações do Maiden, alternando solos, harmonias e movimentações pelo palco. O baterista Simon Dawson, que participa de sua primeira passagem brasileira com o grupo nesta formação, também integrou a engrenagem da apresentação que exigiu bastante de todos os músicos.
Ao revisitar cinco décadas de história, o Iron Maiden não estava simplesmente reunindo singles em um repertório comemorativo. A proposta da “Run For Your Lives” é recuperar diferentes capítulos da trajetória da banda, especialmente os primeiros nove álbuns, permitindo que músicas menos frequentes nas apresentações recentes voltem a ocupar o palco. Foi uma celebração que ganhou ainda mais importância por reunir gerações de fãs em torno do catálogo que atravessou o tempo.
Foto: @stephansolon/Move Concerts Brasil
A resposta do público, aliás, mostrou o quanto a escolha foi acertada. A cada música, o estádio correspondia com entusiasmo, tornando os refrões grandes coros e recebendo as passagens instrumentais com a mesma intensidade. Para os fãs mais antigos, havia a oportunidade de reencontrar composições que marcaram momentos distintos da carreira. Para quem acompanha a banda há menos tempo, houve a possibilidade de conhecer ao vivo algumas peças que raramente aparecem nos repertórios.
Entre os momentos mais especiais esteve a sequência inicial com “Murders in the Rue Morgue”, “Wrathchild”, “Killers” e “Phantom of the Opera”. As três primeiras referências ao período de Paul Di’Anno deram peso histórico à apresentação. “Murders in the Rue Morgue” e “Killers”, em particular, ganharam significado adicional por serem músicas que ainda não haviam sido executadas no Brasil antes da atual passagem da banda.
Outro grande acontecimento foi “Infinite Dreams”. Ausente dos repertórios por mais de 35 anos, a faixa presente no disco “Seventh Son of a Seventh Son” (1988) retornou nesta turnê e foi recebida como um presente para os admiradores da fase mais progressiva do grupo. Antes de iniciar a música, Dickinson comentou que alguns fãs talvez nunca tivessem tido a oportunidade de ouvi-la ao vivo e falou sobre a importância de seguir sonhando.
A apresentação ainda reservou espaço para a comunicação bem-humorada do vocalista. Ao saudar os presentes, Bruce declarou que o Brasil ocupa lugar especial no coração do Iron Maiden. Em outro trecho, ele recuperou a brincadeira envolvendo uma garrafa de cachaça que teria sido preenchida com água na apresentação anterior. Segundo Bruce, em fala obviamente jocosa, o responsável pela troca havia sido demitido. A provocação arrancou risadas dos fãs e mostrou sua habilidade como mestre de cerimônias.
Musicalmente, a noite avançou por diferentes fases do catálogo, com “The Number of the Beast”, “Powerslave”, “2 Minutes to Midnight” e a épica “Rime of the Ancient Mariner”. A sequência terminou com “Run to the Hills”, “Seventh Son of a Seventh Son”, “The Trooper” e “Hallowed Be Thy Name”, alternando velocidade e dramaticidade com grande participação coletiva.
No encerramento, “Iron Maiden” abriu caminho para um bis que reuniu “Aces High”, “Fear of the Dark” e “Wasted Years”. Nesta última, a plateia assumiu novamente o protagonismo, cantando em uníssono uma das composições mais emblemáticas da discografia do grupo.
Depois de 50 anos, o Iron Maiden encontrou maneiras de fazer sua própria história ganhar outras camadas. Enquanto houver fãs dispostos a cantar, ainda existem muitos sonhos para serem vividos ao lado da icônica banda.
Setlist Iron Maiden no Nubank Parque (27/10/2026):
- The Ides of March (intro)
- Murders in the Rue Morgue
- Wrathchild
- Killers
- Phantom of the Opera
- The Number of the Beast
- Infinite Dreams
- Powerslave
- 2 Minutes to Midnight
- Rime of the Ancient Mariner
- Run to the Hills
- Seventh Son of a Seventh Son
- The Trooper
- Hallowed Be Thy Name
- Iron Maiden
Bis:
- Aces High
- Fear of the Dark
- Wasted Years




