Tomorrowland amplia atuação no Brasil e transforma sua marca em plataforma de oportunidades para empresas

O Tomorrowland está ampliando sua atuação para além dos dias de festival e consolidando um modelo de negócios que combina música, entretenimento, tecnologia, conteúdo e experiências de lifestyle. Com receita consolidada de € 305,7 milhões em 2025, a WEAREONE.world, grupo belga responsável pela marca, vem expandindo seu ecossistema internacional e criando novas possibilidades de relacionamento com o público e de participação para empresas parceiras.

A mudança reflete uma transformação na maneira como grandes festivais constroem valor. Em vez de concentrar sua atuação nos dias de evento, o Tomorrowland passa a explorar diferentes plataformas e experiências ao longo do ano, conectando sua identidade visual, sua comunidade e sua programação a novos produtos e territórios de interesse.

No Brasil, essa estratégia ganha força com a edição de 2027, marcada para 30 de abril a 2 de maio, no Parque Maeda, em Itu, no interior de São Paulo. A realização local é uma parceria entre a WEAREONE.world e a DC Set Group, e já conta com marcas como Budweiser, Bybit, Beats, Pernod Ricard, por meio de Absolut, Red Bull, Old Spice, Pague Menos, MSD e Lotus Biscoff.

O conjunto reúne parceiros globais, presentes em diferentes edições do Tomorrowland, e empresas que atuam especificamente no mercado brasileiro. A participação pode envolver desde palcos e ativações presenciais até conteúdo, experiências digitais e benefícios para o público.

Audiência digital amplia o alcance da marca

Um dos principais vetores dessa expansão é a presença digital. Em 2025, as transmissões oficiais do Tomorrowland no TikTok alcançaram mais de 74 milhões de espectadores únicos, segundo os dados divulgados pela organização. O resultado representa quase cinco vezes o recorde registrado em 2023, quando a audiência chegou a 16 milhões.

No mesmo período, conteúdos associados à hashtag #Tomorrowland acumularam 2,4 bilhões de visualizações em apenas duas semanas, enquanto o perfil oficial da marca ultrapassou 9,2 milhões de seguidores.

Esses números ajudam a explicar por que o festival passou a ser visto também como uma plataforma de conteúdo. Transmissões, bastidores, apresentações de artistas e histórias ligadas ao universo Tomorrowland prolongam a experiência para quem não está presencialmente no evento e criam oportunidades de contato com a comunidade em diferentes momentos do ano.

A estratégia inclui ainda iniciativas em ambientes virtuais, como o Roblox, onde elementos da identidade do Tomorrowland podem ganhar novas formas de interação. Para as marcas parceiras, esse tipo de projeto abre espaço para experiências digitais e formatos de entretenimento interativo, além de ampliar o alcance para públicos que consomem conteúdo em plataformas diferentes das tradicionais.

Segundo Debby Wilmsen, porta-voz do Tomorrowland, os resultados refletem uma marca que já não depende exclusivamente dos dias de festival para manter sua relação com o público. A proposta é desenvolver um ecossistema que conecte palcos, plataformas digitais e novas experiências, ampliando a presença da marca ao longo do ano.

Novas propriedades levam o Tomorrowland a outros territórios

A expansão também passa pela criação de iniciativas que levam a identidade do festival para áreas além da música eletrônica. O portfólio inclui eventos na Bélgica, no Brasil e na França, experiências de viagem por meio do Global Journey, projetos de conteúdo e novas iniciativas internacionais.

Entre os movimentos recentes está o ZONE 6, conceito que aproxima o universo Tomorrowland da corrida e do bem-estar. Em agosto de 2026, o ZONE 6 Run & Rave, na França, combinou uma corrida de cinco quilômetros com música eletrônica, transformando a atividade física em uma experiência social e de entretenimento.

O formato ilustra como a marca pode se conectar a interesses que já fazem parte do cotidiano de sua comunidade. Em vez de limitar a relação com o público à pista de dança, o Tomorrowland passa a explorar experiências ligadas a movimento, viagens, moda, beleza, hospitalidade e tecnologia.

Para os parceiros, essa diversificação permite desenvolver projetos mais específicos, alinhados ao perfil de seus consumidores. Uma empresa pode participar de uma ativação no festival, criar conteúdo próprio, desenvolver produtos licenciados ou se associar a experiências ligadas a determinados estilos de vida.

Bem-estar ganha espaço na estratégia global

O wellness é uma das frentes que vêm recebendo mais atenção nessa expansão. Em 2026, o Tomorrowland lançou uma parceria global com a marca de cuidados pessoais Grown Alchemist, estruturada em torno da plataforma Reset Your Rhythm. A iniciativa combina produtos cocriados, experiências imersivas e conteúdo relacionado ao bem-estar.

O projeto exemplifica uma abordagem em que o patrocinador não ocupa apenas um espaço de exposição, mas participa da construção de uma experiência conectada aos interesses do público.

“Hoje, uma parceria com o Tomorrowland pode começar no festival, mas não precisa terminar nele”, afirma Bjorn Declerck, Global Head of Partnerships. Segundo ele, a estrutura da marca permite combinar experiências presenciais, conteúdo, plataformas digitais, produtos e propriedade intelectual em projetos desenvolvidos ao longo do ano.

Na Bélgica, essa estratégia aparece em iniciativas como o Wellbeing Package, integrado ao Global Journey 2026, que combina hospedagem, acesso ao festival e atividades como yoga e boxe. No DreamVille, área de camping do Tomorrowland, espaços voltados a movimento e recuperação incluem uma academia da Adidas em parceria com a Les Mills, com treinos, aulas coletivas, boxe e aluguel de equipamentos esportivos.

A incorporação do bem-estar ao ecossistema cria possibilidades para empresas de fitness, roupas esportivas, beleza, saúde e tecnologia. Também mostra como a marca procura desenvolver experiências que continuem relevantes antes e depois das apresentações musicais.

Brasil ganha peso na estratégia internacional

A edição brasileira de 2027 integra esse movimento global. Realizado sob o tema Consciencia, o festival voltará ao Parque Maeda, em Itu, entre 30 de abril e 2 de maio, com uma proposta que conecta a edição local à narrativa internacional do Tomorrowland.

A parceria com a DC Set Group é parte importante dessa operação. Para Rodrigo Mathias, CEO do grupo brasileiro, a estratégia é construir relações de longo prazo com as marcas e ampliar os pontos de contato com a comunidade durante todo o ano.

A presença de parceiros recorrentes ajuda a dar forma a esse modelo. Budweiser, por exemplo, mantém sua associação com a música por meio da Freedom Stage, presente nas edições da Bélgica e do Brasil. A Bybit também vem ampliando sua relação com o público brasileiro: em maio de 2026, a empresa promoveu o Portal do Amanhã by Bybit, em São Paulo, como parte da contagem regressiva para a próxima edição do festival.

O alcance do evento no país também contribui para sua relevância comercial. De acordo com os dados apresentados pela organização, o público reúne pessoas de mais de 100 nacionalidades, com brasileiros vindos dos 26 estados e do Distrito Federal e de mais de 1.300 cidades.

Além da música, algumas experiências ligadas ao bem-estar já começaram a aparecer na edição brasileira. Em 2025, o festival realizou uma corrida no DreamVille antes da abertura dos palcos e promoveu atividades de yoga e outras práticas no espaço The Balance Yard.

A expectativa é que essas iniciativas possam evoluir nas próximas edições, criando novas formas de participação para o público e oportunidades para parceiros interessados em experiências que combinem entretenimento, atividade física e lifestyle.

Um relacionamento que vai além do ingresso

A ampliação do ecossistema muda também a maneira de pensar a audiência do Tomorrowland. O público não se resume a quem compra um ingresso e comparece ao festival: inclui quem acompanha as transmissões, consome conteúdo, participa de experiências virtuais, viaja com o Global Journey ou se conecta a projetos associados à marca.

Essa diversidade de pontos de contato permite desenvolver parcerias em diferentes escalas, desde ativações voltadas aos visitantes em Itu até iniciativas digitais com alcance internacional. Para as empresas, a oportunidade está em encontrar uma associação que faça sentido para sua área de atuação e para os interesses da comunidade.

Com receita expressiva, audiência digital crescente e projetos que avançam por novos segmentos, o Tomorrowland procura consolidar uma estrutura em que música e entretenimento funcionam como ponto de partida para experiências durante todo o ano. No Brasil, a edição de 2027 será mais um capítulo dessa estratégia, aproximando marcas, público e uma das propriedades mais reconhecidas da música eletrônica internacional.

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