O Rock in Rio 2026 chegou ao fim na noite de domingo com uma última programação marcada por chuva, encontros entre artistas e, principalmente, pela estreia de um nome que encontrou uma maneira bastante particular de ocupar o Palco Mundo. Pela primeira vez no festival, o Twenty One Pilots encerrou a programação principal transformando a plateia em parte ativa do espetáculo.
The Flight no Rock in Rio 2026. (Foto: MORIVA/Rock in Rio)
Tyler Joseph e Josh Dun chegaram ao último show da edição com um repertório capaz de percorrer diferentes fases da carreira. “Overcompensate” abriu a apresentação, seguida por músicas como “Jumpsuit”, “Heathens” e “Shy Away”, criando uma sequência que alternou rock, pop, elementos eletrônicos e a intensidade característica do duo.
Mas foi a relação com o público que deu identidade ao encerramento.
Twenty One Pilots encerra o Rock in Rio 2026. (Fotos: Twenty One Pilots/Instagram)
Em diferentes momentos, Tyler e Josh deixaram a estrutura convencional do palco para se aproximar da plateia. Os músicos foram carregados pelo público em pequenas plataformas e, em determinado momento, Josh Dun chegou a tocar bateria sobre a multidão. Antes disso, o baterista também havia escalado uma estrutura para executar seu instrumento nas alturas.
A cena mais inesperada veio já perto do fim. Jonathan, segurança do festival e fã da banda, foi convidado a subir ao palco para cantar “Ride”. A participação trouxe um elemento espontâneo para uma apresentação que, apesar da grande produção, encontrou seus melhores momentos justamente quando diminuiu a distância entre quem estava no palco e quem estava diante dele.
Essa proximidade é parte importante da identidade do Twenty One Pilots. O duo construiu ao longo da carreira uma comunidade de fãs bastante engajada, e o Rock in Rio ofereceu uma escala muito maior para essa relação. Em vez de simplesmente apresentar suas músicas para uma multidão, Tyler Joseph e Josh Dun incorporaram a plateia à dinâmica do show.
A própria estrutura do novo Palco Mundo ajudou a ampliar esse efeito. O espaço ganhou nesta edição um painel de LED de 2,4 mil metros quadrados, mas a apresentação não dependeu apenas da dimensão da produção. O movimento dos músicos, a resposta dos fãs e as diferentes formas de ocupar o palco deram ao encerramento uma característica mais orgânica.
Antes do Twenty One Pilots, a última noite já havia oferecido uma sucessão de apresentações bastante diferentes.
Ivete e Lola Young se apresentaram no Palco Mundo. (Foto: MORIVA/Rock in Rio)
Ivete Sangalo abriu o Palco Mundo com a energia habitual de seus shows e um repertório que reuniu músicas como “Macetando”, “Poeira”, “Energia Gostosa”, “Dançando” e “Pequena Eva”. Em sua 20ª participação no universo Rock in Rio, considerando as edições realizadas no Rio de Janeiro, Lisboa, Madri e Las Vegas, a cantora também levou para o festival elementos do projeto “A La Sangalo”, incluindo sua leitura de “NUEVAYoL”, de Bad Bunny, e “Corazón Partío”, de Alejandro Sanz.
A chuva não impediu a estreia de Lola Young no Brasil. A cantora encontrou um público disposto a acompanhá-la mesmo com a mudança do tempo e mostrou ao longo da apresentação a força de sua voz. Em “Spiders”, o show ganhou um momento mais introspectivo, antes de terminar com “Messy”, cantada em coro por uma Cidade do Rock molhada, mas ainda cheia.
Halsey foi a penúltima atração do Palco Mundo. A cantora apostou em uma apresentação bastante performática, aproximando-se da grade e criando momentos de interação direta com os fãs. “Without Me”, “Hurricane” e “Closer” apareceram no repertório, que também ganhou versões com uma abordagem mais próxima do rock.
Marina Sena, Carol Biazin e Joelma part. Vivane Batidão no Palco Sunset. (Foto: MORIVA/Rock in Rio)
No Sunset, a programação começou com Carol Biazin e Joyce Alane. O encontro aproximou pop, R&B e referências da música nordestina e serviu como porta de entrada para uma sequência que valorizou diferentes expressões da música brasileira.
Joelma fez sua estreia no Rock in Rio levando para o palco sucessos como “Anjo”, “A Lua Me Traiu” e “Passe de Mágica”. O show também teve a participação de Viviane Batidão, aproximando o festival da cena paraense e do tecnomelody.
Marina Sena apresentou um repertório marcado por sua estética própria e recebeu Céu para cantar “Varanda Suspensa” e “Malemolência”. Mesmo sob a chuva, o Sunset permaneceu movimentado durante a apresentação, que passou por músicas como “Numa Ilha”, “Coisas Naturais”, “Por Supuesto”, “Carnaval” e “Desmitificar”.
Fechando o palco, Zara Larsson transformou o Sunset em uma grande pista de dança. A cantora apareceu com referências às cores brasileiras, interagiu com o público e chamou o fã Sayron ao palco, além de incorporar elementos de dança brasileira à performance. Em “Lush Life”, o vogue ganhou espaço, enquanto “Midnight Sun” teve uma participação particularmente intensa da plateia.
No fim, porém, foi o Twenty One Pilots que deixou a última imagem do Palco Mundo.
Ao colocar a bateria no alto, caminhar sobre o público e dividir o palco com um fã que estava trabalhando no festival, a banda encontrou uma maneira coerente de encerrar uma edição que apostou em diferentes formas de aproximar artistas e espectadores.
Twenty One Pilots encerra o Rock in Rio 2026. (Foto: Twenty One Pilots/Instagram)
Mais de 700 mil pessoas passaram pela Cidade do Rock ao longo dos sete dias, acompanhando 190 shows e mais de 1.300 artistas. Números que ajudam a dimensionar o tamanho do festival, mas que não conseguem medir aquilo que acontece durante uma apresentação.
No encerramento de 2026, o Twenty One Pilots lembrou justamente disso: por maior que seja o palco, um show ainda pode ser definido pela proximidade entre quem toca e quem canta junto.
E, na última noite do Rock in Rio, foi a plateia que acabou subindo ao palco.









