Sepultura se despede com o EP “The Cloud of Unknowing”

Após mais de quatro décadas de trajetória, o Sepultura se prepara para encerrar sua história com o lançamento do EP The Cloud of Unknowing, que chega às plataformas digitais no dia 24 de abril, via ONErpm. O projeto marca o último registro de estúdio da banda, consolidando um legado que inclui mais de 40 anos de carreira, 14 discos de ouro e apresentações em mais de 80 países.

Mesmo em meio à turnê de despedida Celebrating Life Through Death, o grupo encontrou no processo criativo espontâneo a forma ideal de encerrar esse ciclo. Gravado no lendário Criteria Studios, o EP foi produzido por Stanley Soares e desenvolvido ao longo de dez dias, sem pressões ou planejamento prévio, uma escolha que reforça o caráter livre e orgânico do trabalho.

Um registro espontâneo e reflexivo

Segundo o guitarrista Andreas Kisser, a proposta foi simples: compor e tocar sem amarras. O resultado é um EP que transita por diferentes atmosferas e influências, incluindo elementos inesperados, como nuances jazzísticas incorporadas ao som da banda.

O título The Cloud of Unknowing remete a um conceito espiritual do século XIV, que questiona intermediários na conexão entre o ser humano e o transcendental, ideia que dialoga diretamente com o momento da banda: mais introspectivo, livre e essencial.

Entre peso, experimentação e despedida

Com quatro faixas, o trabalho apresenta diferentes facetas do Sepultura. “All Souls Rising” surge com força e grandiosidade, enquanto “The Place” carrega uma reflexão social intensa sobre imigração, identidade e conflitos internos, interpretada pelo vocalista Derrick Green.

Já “Beyond the Dream” se destaca como um dos momentos mais surpreendentes do EP ao explorar o formato de balada, algo desejado pela banda há anos. A faixa conta com participações especiais de Tony Bellotto e Sérgio Britto, reforçando a conexão histórica entre o Sepultura e o Titãs.

Um último testemunho

Mais do que um lançamento, The Cloud of Unknowing funciona como um registro final da essência do Sepultura: intenso, diverso e sem concessões. Entre o peso característico e momentos de profunda sensibilidade, o EP se apresenta como uma despedida agridoce, e ao mesmo tempo poderosa.

Sem recorrer a fórmulas ou expectativas, a banda entrega um trabalho honesto e humano, reafirmando seu papel como um dos nomes mais influentes do metal mundial até o último acorde.

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