Comprar ingresso para um show no Brasil nunca foi barato. Mas, essa semana, a frustração atingiu um novo patamar. Durante a venda para o show do My Chemical Romance, que retorna ao país em 2026 (após 18 anos), em São Paulo, fãs descobriram que o valor final do ingresso aumentava consideravelmente ao chegar na etapa de pagamento. Um ingresso de pista premium inteira, anunciado por R$ 895,00, chega a custar R$ 1.144,44 no fechamento da compra.
O motivo? Três taxas obrigatórias que, somadas, representam R$ 249,44 a mais. Um peso extra no bolso de quem já precisa lidar com preços elevados, logística complicada e a instabilidade típica da venda online.
Três taxas, uma compra e muitas perguntas
No momento do pagamento, o sistema da Eventim apresenta ao consumidor três cobranças adicionais. No exemplo acima temos: a taxa de serviço (R$ 195,11), a taxa administrativa (R$ 21,00) e a mais recente, taxa de processamento, no valor de R$ 33,33, no exemplo da Pista Premium. Essa última vem sendo aplicada especialmente nos shows do My Chemical Romance, Gilberto Gil e do Planet Hemp, produzidos pela 30e. A taxa administrativa da W Torre é aplicada também em shows da Livenation (vendidos na Ticketmaster), como do Bad Bunny. Já o show do Guns n’ Roses, com ingressos vendidos na mesma plataforma e com show no mesmo local, porém realizado pela Mercury Concerts, cobra apenas a taxa de serviço. A taxa de processamento já se faz presente em outras ticketerias, como a Ingresse.
O resultado é um misto de incompreensão e quebra de confiança: qual o motivo evidente em que essas taxas não podem ser esclarecidas antes mesmo da opção de compra? A surpresa ao finalizar a compra não é nada positiva.
O que é, afinal, essa taxa de processamento?
Segundo a Eventim, a taxa cobre custos do sistema de pagamentos eletrônicos, como autorização, segurança dos dados e repasse ao promotor. A cobrança varia conforme o valor, o método de pagamento (cartão, débito, Pix) e outros fatores operacionais.
Porém os fãs levantaram dúvidas: por que essas despesas não estão embutidas no valor do ingresso? E por que essa taxa aparece apenas em determinados eventos?
Quando a frustração começa antes do show
A experiência de ir a um show começa bem antes de o artista subir ao palco. Ela nasce no anúncio, na expectativa e, principalmente, no processo de compra. Mas, com o aumento abusivo de taxas, o que deveria ser um momento de empolgação se transforma em estresse.
O fã é surpreendido por valores que não estavam claros, obrigado a pagar por novas taxas, e colocado diante de uma escolha injusta: aceitar o preço inflado ou abrir mão do próprio sonho. A emoção dá lugar à decepção — e tudo isso antes mesmo da primeira música.
Reações dos fãs
Nas redes sociais, a resposta do público foi rápida e contundente. Fãs chamaram a nova cobrança de “absurda”, “abuso com os consumidores” e “desrespeitosa“.
A sensação é de que a relação entre produtoras, plataformas e fãs está desequilibrada. Os espetáculos, que deveriam ser uma celebração da música, viram motivo de indignação já no primeiro clique.
Até onde vai o limite das taxas?
A cobrança de múltiplas taxas obrigatórias, especialmente uma nova tarifa sem transparência, abre um precedente perigoso para o mercado de eventos no Brasil. Ela não só encarece ainda mais o acesso à cultura, como mina a confiança dos fãs.
É hora de discutir com seriedade: qual o verdadeiro custo de um ingresso? E quem está lucrando às custas de quem mais sonha em estar ali — o fã?
Cenário internacional
Uma pesquisa da Billboard descobriu que os fãs de música nos EUA estão realmente dispostos a contrair dívidas para conseguir ir a shows e festivais, mesmo com a alta nos preços dos ingressos. Em 2025, quase 60% dos participantes do Coachella compraram ingressos por meio de um plano de pagamento, conhecido aqui como parcelamento.
Todos esses gastos estão além das possibilidades de muitos desses jovens compradores, com 19% dos entrevistados da Geração Z admitindo gastar mais do que podem pagar por ingressos para shows.
E você, até onde vai pra ver seu artista favorito?
Ingressos caros, taxas acumuladas, parcelamentos que viram dívidas…
A experiência de ir a um show está se tornando inacessível para muitos. A música ao vivo, que deveria ser celebração e encontro, está se tornando um privilégio — quando deveria ser um direito cultural.
Confira a publicação original em nosso instagram.


